Shinkansen, Evolução de uma tecnologia sem precedentes

Para chegar ao estágio em que hoje se encontra, o Shinkansen tem sido aprimorado ao longo dos anos e desde 1964 podemos contar dez diferentes séries de desenvolvimento de suas máquinas e vagões, a maioria ainda em uso pelas ferrovias japonesas.

Serie 0: Inaugurou o sistema de trem-bala no Japão, com a linha Tokaido Shinkansen, ligando Tóquio a Osaka, em 1964. Este sistema padronizou a via férrea para o Shinkansen, com espaço entre trilhos de 1435 mm. Dizem que a locomotiva teve seu nariz inspirado no famoso DC-8, avião transcontinental da Douglas. Produzido de 1963 até 1986, alguns “Serie 0” continuam em uso nas linhas Kodama, ligando Shin Osaka e Hakata. Kodama é o Shinkansen que para em várias estações, em cidades menores.

Serie 100: Produzidos de 1984 a 1991, a Série 100 já apresentou o trem com nariz afilado, como se costuma ver nas fotos de divulgação do trem-bala. Esta série foi criada para servir também a linha do Leste do Japão, acima de Tóquio, denominada Sanyo Shinkansen, além de incrementar a Tokaido Shinkansen, que de há muito já havia ultrapassado os limites de Osaka, indo até Hakata, no extremo inferior do arquipélago japonês. A Serie 100, inicialmente criada para atuar como Hikari (ligando estações maiores), ainda está em serviço e começa a substituir a Série 0, para uso como Kodama.

Serie 200: Esta série foi produzida de 1980 a 1986, para atender as linhas Tohuku Shinkansen e Joetsu Shinkansen, que foram criadas para atender ao Noroeste japonês, onde o terreno é mais acidentado, com altas cadeias de montanhas e sujeito a nevascas mais rigorosas ao longo do ano. Os trens possuem equipamentos contra a neve e o nariz semelhante ao da Serie 100. Na 200, foi criada a possibilidade de engatar duas composições pelo nariz dos primeiros carros, produzindo trens mais longos e com a possibilidade de separação quando necessário, por exemplo, ao se atingir Fukushima, as linhas se separam em duas, podendo uma composição rodar para Sendai e daí até Akita e a outra derivando para Yamagata, indo na seqüência a Niigata.

Serie 300: Criados em 1992, essa série introduziu velocidades de até 270 km/h e o novo serviço de Shinkansen, o Nozomi. Neste serviço, as composições são todas de 16 vagões e atendem as principais estações nas linhas Tokaido Shinkansen e Sanyo Shinkansen. O carro da frente apresenta o nariz bem longo, já completamente diferenciado do estilo “nariz de avião” dos primeiros trens e o piloto dirige em uma posição bem baixa, quase no nível da linha férrea.

Serie 400: A Serie 400 é conhecida como mini-Shinkansen e utiliza linhas com padrão convencional, menores que o padrão de 1435 mm do Shinkansen. Criada para atender regiões de menor movimento mas que poderiam ter a eficiência do serviço, a Serie 400 roda nas linhas Tohoku Shinkansen e Yamagata Shinkansen. As composições são de seis ou sete carros e a área interna é menor, com espaço entre bancos de menor conforto.

Serie 500: A Serie 500 apresentou uma revolução no desenvolvimento do Shinkansen, atingindo velocidades de até 320 km/h. O nariz é bastante afilado, como nas espaçonaves de ficção e, se comparado aos aviões, está mais próximo do desenho do Concorde. Todos os dezesseis carros tem motor próprio e produz um resultado de 25000 HP; há um sistema de suspensão ativa controlado por computador. Foram produzidos apenas nove, de 1995 a 1998, devido ao alto custo de cada trem: 40 milhões de dólares.

Serie 700: Criada para produzir trens de grande capacidade por menor custo que a Serie 500, esta categoria atinge velocidades de até 285 km/h e tem um nariz parecido com um bico de pato, tornando o carro da frente muito bonito e de aerodinâmica bastante eficiente.

Serie E: Este conjunto de desenvolvimento tem composições que são utilizadas apenas no Leste do Japão, a partir de Tóquio, nas linhas Joetsu Shinkansen e Tohoku Shinkansen.

Serie E1: Foram construídas seis composições entre 1994 e 1995, cada uma com doze carros e com velocidades até 240 km/h. Estes foram os primeiros Shinkansen a adotar carros de dois andares, para diminuir a super-lotação dos trechos Noroeste, que atingiam até 200%, ou seja, permitiam-se viajantes em pé.

Serie E2: Na série E2, as composições possuem oito carros e podem atingir 280 km/h, embora a velocidade de operação seja menor, em função das características de terreno. Estes veículos começaram a ser produzidos em 1995 e ainda são fabricados para atender as linhas Joetsu, Tohoku e a Nagano Shinkansen. A novidade maior desta série foi a possibilidade de acoplagem de composições, pelo nariz da máquina de frente, tanto entre máquinas da E2 como da Serie E3.

Serie E3: A série E3 foi produzida para a linha Akita e é também um mini-Shinkansen, aproveitando a infraestrutura ferroviária convencional, com menor distância entre trilhos. Atingem até 275 km/h mas apenas nos trechos das linhas Joetsu e Tohoko. Na estrutura da linha Akita Shinkansen, a velocidade chega apenas até 130 km/h. Este trecho, de beleza natural impressionante através das montanhas do norte de Honshu, é pleno de viadutos e pontes, com curvas bastante acentuadas e fora do padrão Shinkansen conhecido no restante do país.

Serie E4 “Max” : Esta é a segunda série produzida com vagões de dois andares e é utilizada também nas linhas Joetsu e Tohoku. Foram produzidos até o ano 2003 vinte e quatro composições de oito vagões que, acopladas a outras composições da mesma série, formam trens com até 16 vagões. Esta série também pode ser combinada com composições da Série 400 e rodam a até 240 km/h.

O processo de aprimoramento do Shinkansen é constante e a busca por unidades de menor consumo de energia é pauta prioritária dos engenheiros, não se esquecendo da segurança, setor que faz com que esse serviço tenha uma das menores taxas de acidentes em transporte de massa no mundo.

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Fonte:
Fotos Helio Ciffoni

http://www.h2.dion.ne.jp/~dajf/byunbyun

http:/www.everything2.com

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