Na China, com Dilma

Acompanhei a Missão Brasileira ‘a China, primeira viagem da nova governante, no início do mês de abril. Em geral, as críticas ‘as missões empresariais são fortes, principalmente por parte dos empresários que não foram ou daqueles que foram mas não se prepararam para tal. [photopress:China_hotel.jpg,full,pp_image]
Em outras oportunidades, acompanhei missões em que o Ministro da Indústria e Comércio do Brasil era Luiz Furlan, período em que o ex-presidente dizia que havia convidado Furlan para ser um mascate, como podemos lembrar nessa entrevista de 2003 e que aqui reproduzo algumas linhas: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou o ministro do Desenvolvimento Luiz Fernando Furlan de “mascate” do governo. Lula contou que quando convidou o empresário para ser ministro falou o que pretendia e como seria a função. Estive acompanhando missões do Ministro Furlan, como empresário exportador de software, ao Japão (maio de 2005), ‘a Argélia (novembro de 2005) e a cinco países da América Central em maio de 2006. Em todas essas visitas pude presenciar o rigor no cumprimento de agenda e de apoio a abertura de novos negócios ou expansão dos já existentes, principalmente com o exemplo do Ministro de, em todas as viagens, ao descer do avião e já diretamente participar de reuniões, encontros, seminários ou inaugurações, como foi na Argélia. As equipes da APEX sempre vinham com as agendas prontas e com encontros estabelecidos para as empresas ou setores que haviam feito a sua parte, indicado os seus interesses e os seus contatos prévios. Para quem vai com o espírito de passear, o melhor é gastar o dinheiro em viagens de turismo, quando podemos escolher o hotel e o meio de transporte e fazer até um roteiro muito mais econômico. Nas missões empresariais encaradas com seriedade não há, geralmente, tempo para lazer.
Fui para Pequim com esse espírito e com a vantagem de estar bem próximo, com pouco mais de três horas de viagem a partir de Tóquio, gastando menos com passagens e aproveitando o ainda baixo custo de hospedagem, alimentação e transporte na China. Embora meu foco de negócio tenha se modificado ao longo dos anos, ainda estive voltado ‘a exportação de serviços e produtos de software do Brasil para a China, acrescentando também a atração de investimentos chineses ao Brasil, como parceiros a explorar o mercado mundial.
A primeira visita a um país (já havia visitado a China em outras três situações, em 1988, 2008 e 2010) com o espírito de vendedor deve ser antecedida de uma pesquisa razoável sobre a área de negócios a tratar, sobre o mercado interno e o que nossos futuros parceiros oferecem ou procuram. Encontrar empresas locais que possam nos auxiliar a entender melhor o mercado e cercar-se de informações oficiais, em nosso caso através da APEX e das unidades de promoção comercial do Ministério das Relações Exteriores é fundamental.[photopress:China_Painel.jpg,full,pp_image]
Especificamente nesta visita ‘a China, a CNI (Confederação Nacional da Indústria) organizou um ótimo seminário para os empresários brasileiros presentes, sob o tema “Como fazer negócios na China”, em que membros da diplomacia brasileira e do MDIC, juntos a empresários que já trabalham com o país, puderam nos dar uma visão das dificuldades e das oportunidades para se trabalhar com o mercado chinês. A China é “vendedora” e em encontros em que só há vendedores é difícil entabular negócios; mas a China é também a grande compradora no mercado atual e praticamente tudo pode ser vendido aos chineses, incluindo-se recursos naturais, alimentos, artigos de vestuário, máquinas e idéias. Dois dias para discutir negócios é muito pouco mas com a experiência de 10 anos fazendo negócios com o Japão, um item pelo menos é muito parecido: paciência. Os chineses são mais rápidos que os japoneses mas mesmo assim, para passar do primeiro ao segundo passo, a demora é quase a mesma. O primeiro contato pode ser realizado no prazo curto de dois dias e ficar mais do que esse período só nos ajuda a conhecer mais empresas mas nunca dar seguimento com as mesmas. É também preciso voltar, fazer a lição de casa e manter o relacionamento. A confiança vai se estabelecendo e os negócios devem fluir.[photopress:Dilma.jpg,full,pp_image]
Quanto ‘a Presidente Dilma, ouvi o seu discurso no painel de análise das oportunidades, assim como ouvi o do novo ministro ‘a frente do MDIC. Ele não parece ter o espírito do “mascate”, tem outro estilo; ela, a quem já havia ouvido em 2005 em Tóquio ‘a frente do Ministério das Minas e Energia, parece continuar firme no propósito de fazer com que as coisas aconteçam. Espero aproveitar a onda…
[photopress:China_HGC.jpg,full,pp_image]

About Helio Ciffoni

Helio Galvão Ciffoni, 1956 Mestre em Educação, Físico e Engenheiro Civil. Empresário do setor de Tecnologia da Informação, consultor de empresas, professor universitário por mais de 25 anos.
This entry was posted in Negócios. Bookmark the permalink.

One Response to Na China, com Dilma

  1. Hélio.
    Siga firme na pauta da agenda de exportçao de negócios brasileiros na Ásia. Já com a Dilma no governo e sua política de fazer com que as coisas aconteçam, conforme voce mesmo disse.
    Toque em frente. Essa creio que seja seu carma e sua missao.

    abrazos,

    rg

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

*

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>