Aparente normalidade

Depois de três semanas, a situação na Tóquio-pós-terremoto parece voltar aos poucos ao normal. Embora a tragédia na região nordeste japonesa ainda seja o tema dos noticiários na TV e a base de preocupação de todos que moramos aqui, a vida segue o seu rumo.
Em relação ao meu trabalho com clientes japoneses, praticamente nada foi realizado nas últimas semanas. Reuniões foram canceladas, planejamento sendo examinado e novas oportunidades, e elas surgem com as dificuldades, começaram a surgir. Nesta última semana, recebi pedidos de potenciais clientes e parceiros para oferecer soluções para a perda de comunicação e de dados que, invariavelmente, atingirão algumas organizações quando do aparecimento de desastres naturais. Discussões sobre o armazenamento de dados e a criação de data center de backup no Brasil não são nenhuma novidade. Desde que comecei a trabalhar em consultoria de serviços e produtos de Tecnologia da Informação com o Japão, esse tema é recorrente. Por algumas vezes nos últimos três anos fui ao Brasil acompanhando prospects japoneses interessados, em algum grau, em desenvolver seus negócios de segurança de informações no Brasil.
Com a volta do interesse, por necessidade, volta também a esperança da retomada das negociações e mais um item entra na balança como favorável ao Brasil, até que se prove ao contrário: nossos desastres naturais tem sido de menor grau de destruição, nossas usinas nucleares tem se mostrado seguras e nossas redes de comunicação, em que pese toda a lista de reclamações pelos usuários comuns nos PROCONs do país, é ainda estável e pode crescer muito, com a melhoria anunciada da infraestrutura, da banda larga disponível e até mesmo da redução de encargos para tornar o Brasil mais competitivo e atrair grandes clientes, como as empresas japonesas.
Fora as reuniões para tratar de data centers, tema que acompanhei também em fevereiro na visita de um grande banco japonês ao Brasil, outros assuntos estão voltando com muita força, como é o caso da TV Digital, com três reuniões agendadas para a semana, tendo como foco a entrada no mercado brasileiro de empresas japonesas interessadas em oferecer seu middleware para TV digital, tanto em aparelhos fixos como para a solução em dispositivos móveis, usando 1-seg.
E não há dúvida de que as empresas brasileiras estão bem preparadas para atender aos japoneses, os visitantes sempre afirmam, com surpresa, que não esperavam encontrar a qualidade que podemos oferecer. Por isso, aparente normalidade, seguida de tremores diários e o temor de vazamento da radiação.

About Helio Ciffoni

Helio Galvão Ciffoni, 1956 Mestre em Educação, Físico e Engenheiro Civil. Empresário do setor de Tecnologia da Informação, consultor de empresas, professor universitário por mais de 25 anos.
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