Pós-terremoto. Um dia de trabalho em Ginza.

Ontem, 15 de março e portanto quatro dias depois do terremoto, saí de Toyosu pela primeira vez, para uma reunião em Ginza. Nestes dias, quem não precisa sair de casa não o está fazendo mesmo e muitas empresas estão usando os serviços de seus funcionários a partir de casa.
Com quase todas as minhas reuniões canceladas esta semana, uma ainda se manteve em função da necessidade do cliente, preparando-se para ir ao Brasil e buscando informações sobre potenciais parceiros na área de TV digital.
Como o escritório não fica muito distante e pego só uma linha de metrô, resolvi manter o plano inicial e confirmar o encontro. De Toyosu a Ginza são apenas três estações e a distância é percorrida em 5 minutos. São 10 minutos caminhando para chegar de casa até a estação e mais 10 da estação Ginza-Itchome ao escritório. O Ginza Business Center estava quase que ‘as moscas, poucas pessoas trabalhando em suas salas. Já para chegar ao edifício, vi que muitas lojas estavam fechadas, talvez 50% delas nas ruas paralelas ‘a principal. A confeitaria no andar térreo estava vazia, coisa rara para uma terça-feira em Tóquio.[photopress:Ginza_Wako.jpg,resized,pp_image]
A reunião levou mais de uma hora, a empresa japonesa está disposta a fazer investimentos no Brasil e aparentemente não há ainda nenhuma definição quanto ‘a suspensão de projetos. Agora cabe ‘as empresas brasileiras mostrar interesse e desenvolver novos negócios.
Finda a reunião, resolvi caminhar por Ginza até voltar ‘a estação e, embora já soubesse que as lojas de departamentos estivessem fechadas, a surpresa de ver a região vazia foi muito grande. Na tradicional esquina de Ginza com Harumi-dori, os três ícones deste ponto de encontro estavam fechados: o show-room da Nissan, a Wako e do outro lado, a Mitsukoshi. Dos quatro pontos importantes, apenas o Doutor Café estava em funcionamento, mesmo assim com baixíssima frequencia, sem ninguém nas mesas externas. [photopress:Ginza_Hermes.jpg,resized,pp_image]
Nas ruas, apenas turistas estrangeiros com suas máquinas fotográficas ou turistas-compradores chineses, saindo da loja da Uniqlo com suas sacolas recheadas. Na retomada dos negócios no Japão, na segunda-feira, a Bolsa de Tóquio mostrou, como era de se esperar, uma queda bastante acentuada, mesmo assim minimizada pela pronta participação do Banco do Japão em operações intraday, procurando evitar um problema maior. E das observações sobre o mercado, já se fez sentir que o mercado de artigos de luxo, escorado principalmente pelo papel de segundo consumidor mundial que tem o Japão, já dava sinais de queda. Aliás, vi algumas críticas sobre a queda do mercado de artigos de luxo, como se isso não tivesse nenhuma importância. A economia japonesa é fortemente embasada no varejo e o segmento de luxo foi o de maior crescimento nos últimos anos. Para a retomada da economia, mesmo no meio de tanta tragédia, falar em “artigos de luxo” é falar também em retomada de empregos e toda análise neste momento é importante.[photopress:Ginza_Nissan.jpg,full,pp_image]

About Helio Ciffoni

Helio Galvão Ciffoni, 1956 Mestre em Educação, Físico e Engenheiro Civil. Empresário do setor de Tecnologia da Informação, consultor de empresas, professor universitário por mais de 25 anos.
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