Cinco semanas no Brasil

Estive no Brasil durante o mês de fevereiro e a primeira semana de março deste ano. A data da viagem já estava decidida em função da formatura de meu filho em Direito, na PUC em Curitiba. A data de retorno foi marcada em função de um contrato de consultoria fechado em cima da hora, pouco antes de minha partida de Tóquio. A empresa japonesa interessada em visitar o Brasil e escolher áreas e parceiros para investimentos contactou-me já com suas passagens emitidas mas ainda sem conseguir fechar uma agenda no Brasil.
Os japoneses em geral são organizados mas não foi esta a primeira vez que fui procurado para resolver agendamento de reuniões em cima da hora e o motivo foi o mesmo: confiaram demais no parceiro escolhido antecipadamente e este, com pouco conhecimento do tema e quase nenhum contato com empresas da área de Tecnologia da Informação e Comunicação, não conseguiu fechar um cronograma que justificasse a vinda dos investidores. Então, minhas férias acabaram sendo encolhidas em três semanas, período em que acompanhei os japoneses por São Paulo, Brasília, Rio, Salvador e Curitiba. Trinta e sete visitas agendadas e cumpridas, retornaram ao Japão e eu fiquei para aproveitar um pouco da tranquilidade e diminuir um pouco as saudades da família.
São Paulo no verão continua nos fazendo sofrer com os engarrafamentos, as inundações e a dificuldade em cumprir a agenda, não pelos empresários, talvez os mais dedicados a mostrar que se faz trabalho com grande profissionalismo. Estivemos em empresas bem estruturadas, com plenas capacidades de associar-se aos japoneses e usar a capacidade que estes oferecem para tornar as empresas em entidades globalizadas.
Em Brasília, a facilidade de locomover-se é grande e as reuniões puderam ser bem encadeadas, facilitando os encontros. Por outro lado, nem todos entendem bem a necessidade de ter horário de início e fim dos encontros, causando muitas vezes atrasos e pedidos de desculpas. No Rio de Janeiro a situação é mais delicada, pelas dificuldades de locomoção em um trânsito caótico e a natural capacidade de desculpar-se por não poder cumprir a agenda[photopress:ChacaraFev2011_005.jpg,full,pp_image]. O que me impressionou bastante no Rio foi a facilidade com que se vai do Aeroporto do Galeão ‘a Barra da Tijuca, o que facilita muito quando as empresas a visitar se localizam nessa região. Como dois dos três encontros foram em Jacarepaguá, cumprir a agenda nesse lado da cidade não foi um grande problema.
Salvador tem um trânsito também difícil e as áreas de estacionamento público atrapalham muito o deslocamento em carro próprio, perde-se muito tempo para conseguir estacionar o carro na região em que as empresas estão localizadas, principalmente no centro financeiro. Em Curitiba, embora o trânsito já não seja o que se imagina em função de toda a propaganda de cidade organizada, não há dúvida que é muito mais fácil se locomover e marcar um grande número de reuniões sequenciais. Em geral, os horários de início e término são também respeitados e o único cancelamento de reunião que tivemos foi em órgão público em função da agenda apertada da autoridade.
De maneira geral, acompanhar empresários e executivos japoneses ao Brasil sempre nos mostra o grau de surpresa destes pelo que encontram, sempre achando que o Brasil visitado é muito diferente do Brasil imaginado. O Brasil no Japão é sempre o das grandes festas do Carnaval e futebol ou o Brasil das atrações turísticas, das praias e da Floresta Amazônica. Ainda, aparece muito também para os japoneses o Brasil da alta criminalidade, do perigo de sair ‘as ruas, de apanhar um táxi sozinho ou de ser enganado nas casas de câmbio. Essa é sempre a boa surpresa, a de ver um país moderno, até certo ponto organizado e com empresas fortes, de profissionais preparados e que falam inglês com a facilidade inversamente proporcional ‘a capacidade dos japoneses de entender um idioma estrangeiro.
Trinta e sete visitas depois, a certeza que logo estaremos de volta para a segunda fase, ou seja, fechar negócios e vender aos japoneses serviços e produtos com alto valor agregado, tentando deixar lentamente de ser o país que exporta matéria-prima.
No lado familiar, comer Arroz de Braga e bolo de cerveja na casa da mãe não tem preço, assim como comemorar a formatura do segundo filho, o segundo em Direito na PUC. 100%! [photopress:Pinheiro_do_Parana.jpg,full,pp_image]

About Helio Ciffoni

Helio Galvão Ciffoni, 1956 Mestre em Educação, Físico e Engenheiro Civil. Empresário do setor de Tecnologia da Informação, consultor de empresas, professor universitário por mais de 25 anos.
This entry was posted in Negócios. Bookmark the permalink.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

*

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>