O crescente interesse mundial pelo Nihongo, o idioma japonês

Eu não uso o idioma japonês no meu cotidiano de trabalho e por força de viagens constantes, não vou ‘a escola. Optei por estudar japonês uma vez por semana, com uma professora voluntária indicada pela revista Hiragana Times. O processo é lento, não temos uma metodologia definida além de ler os textos preparados para esse tipo de estudo pelo próprio Hiragana Times.
Na edição de dezembro de 2010 e que veio ‘as bancas em 18 de novembro último, Hiragana Times publicou um artigo sobre o crescimento do interesse no aprendizado de japonês no mundo todo e, de acordo com uma pesquisa desenvolvida pela Japan Foundation (www.jpf.go.jp/j/), em 125 países o idioma japonês é ensinado por 14.939 instituições e utilizando 49.844 professores. Um total de 3.651.761 estudantes dedicam-se ao aprendizado do nihongo, fora do Japão. Comparando os números com uma pesquisa da mesma fundação, em 2006, o número de alunos cresceu em 22,5%, o que é bastante expressivo, ainda mais ao levar em consideração que o Japão, segunda maior economia do mundo, será ultrapassado neste quesito pela China, quando os números oficiais da economia global forem divulgados ao final do ano. Um detalhe interessante é que os estudantes chineses interessados em estudar o idioma japonês respondem por 22,7% do total, sendo superados apenas pelos coreanos que representam 26,4% ou aproximadamente 960 mil pessoas. Fora da Ásia, a Austrália é o país com o maior número de estudantes do idioma japonês, com 7,6% do total.
E por quê o interesse no idioma japonês? A própria pesquisa da Japan Foundation examinou as razões e as respostas obtidas através da escolha de múltiplas opções, apontaram para as quatro principais razões como sendo “obter informações sobre a cultura japonesa (história, literatura, etc.)”, “obter informações sobre anime, manga e J-Pop)”, “interesse em aprender o idioma japonês” e “ter capacidade para comunicar-se em japonês”. O crescimento do interesse mundial entre os jovens para a cultura de anime e manga, além do crescente número de praticantes e seguidores de cosplay pode ser também um dos principais motivos para se estudar japonês no ocidente. Ainda recentemente, o semanário The Nikkei Weekly, publicado no Japão em inglês e que trata de negócios, apresentou reportagem tratando da investida das universidades japoneses no exterior, tentando atrair alunos para as vagas que deixam de ser preenchidas em função da baixa taxa de natalidade no Japão; para os estudantes asiáticos, esta é uma ótima oportunidade já que o nível de qualidade das universidades japonesas é bastante elevado. O estudo do idioma japonês cresce nos países asiáticos em função das oportunidades de estudo e trabalho no Japão.
No meu caso, como não uso o idioma japonês no trabalho, as maiores oportunidades que tenho de praticar o idioma estão na rua e principalmente na lavanderia nas manhãs de sábado, no supermercado e na barbearia. Quando entro em algum MacDonald’s ou Starbucks, rapidamente os atendentes me oferecem o cardápio em inglês, já querendo fugir das dificuldades que seria conversar com o gaijin. na lavanderia, não tem jeito pois o “cardápio” é todo em japonês e elas precisam me ouvir e lá vou eu, sempre animado, a explicar que quero as camisas dobradas, o terno pendurado em cabides, o botão pregado e a bainha costurada. Na barbearia, tenho que explicar a altura da costeleta e que não quero o cabelo “caprichosamente” armado com mousse e secador e no supermercado eu procuro saber onde está o paseri, mikan e qual deles é o tofu momen.
O Hiragana Times deste mês me entrevistou para saber a razão do meu interesse em aprender japonês. Ora, eu moro no Japão e apesar dos japoneses em geral pedirem desculpas por não falar inglês, eu é que fico constrangido pois é minha a obrigação de saber o idioma local.
Na foto abaixo, uma placa para turistas em Guam, uma das Ilhas Mariana, no Pacífico. Como os japoneses são os principais visitantes estrangeiros na ilha, alguns prestadores de serviços nos hotéis, taxis, ônibus e shopping malls aprendem o japonês para se comunicar com os turistas.

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About Helio Ciffoni

Helio Galvão Ciffoni, 1956 Mestre em Educação, Físico e Engenheiro Civil. Empresário do setor de Tecnologia da Informação, consultor de empresas, professor universitário por mais de 25 anos.
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2 Responses to O crescente interesse mundial pelo Nihongo, o idioma japonês

  1. Eduardo Tamura says:

    Hélio, excelente artigo!
    No Brasil, muitos “não descendentes” de japoneses estão estudando e prestando “Noryoku Shiken”, o teste de proficiência. Houve aumento considerável na última década, sobretudo pela ampla oferta de Mangás, traduzidos por descendentes e há também boas traduções a partir do japonês ou inglês, desses “quadrinhos japoneses”.
    Muitos brasileiros “puramente caucasianos (ou quase)” procuram e compram mangás japoneses na Liberdade para exercitar o aprendizado ou simplesmente pela “grossura” da revista, para desenhar e ver a beleza das imagens. Os videogames também contribuem muito para despertar o interesse da “moçada”. Até 1990, os interessados em aprender japonês se concentravam nos campeonatos de Karaokê.

    Grande abraço!
    Eduardo

  2. Eduardo Tamura says:

    Hélio, no primeiro parágrafo, faltou complementar que há boas traduções realizadas por profissionais que não são descendentes de japoneses também.
    Na página sobre a editora dos mangás, constam alguns nomes de tradutores sem sobrenome japonês. A globalização e evolução das tecnologias digitais podem acelerar o processo. Estou investindo no meu “amadurecimento” também, antes de ficar muuuuuuito velho. rs

    Eduardo

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